ÁFRICA DO SUL: Sani Pass – Underberg – Durban – Santa Lucia – iMfolozi – Nelspruit – Kruger – MOÇAMBIQUE: Maputo (7-18 de Fevereiro)

A porta da nossa saída do Lesoto situa-se num local tão espectacular como difícil de percorrer. Sabíamos que passando a fronteira não encontraríamos mais pastores e que a África voltava a ser a do Sul, diferente de todos os outros países. De facto o caminho era difícil e a certa altura a estrada parecia o leito de um rio seco e pedregoso. Calculamos em certos pontos a inclinação da estrada que por vezes chegava aos 18%. Antes da fronteira vimos anunciado o Sani Pass, com 2856 m de altura. Depois de carimbado o passaporte com a saída do Lesoto percorremos cerca de 500 metros e chegamos ao Pub e restaurante mais alto de África. Ficamos curiosos! De facto havia uma esplanada com uma aparente bela vista. Da esplanada reparamos que a estrada que íamos descer era tão ingrime como perigosa. Estávamos prestes a percorrer o Sani Pass em sentido contrário, onde apenas condutores de todo o terreno experimentados se aventuram. Cruzamos-nos com vários jipes, todos eles carregados de turistas, com slogans de agências de viagem. A estrada não está alcatroada, talvez pelo interesse turistico do local, caso contrário minimizaria a adrenalina de quem percorre esse troço! A inclinação poderia atingir os 20-30% em determinadas zonas. Um zig zag apertado, com curvas muito fechadas com quase 180º e terreno esburacado, com pedras que caiam enquanto o carro resvalava ligeiramente. Os carros sobem com dificuldade, a mesma com que nós descíamos. A paisagem é deslumbrante. Não se pode negar a beleza da montanha e a imponência da sua altura. Estávamos na zona de África do Sul, património da Humanidade, denominada Drakensberg. Ao inicio da tarde chegamos ao Sani Lodge Backpackers, onde acampamos. De tarde fizemos um percurso pedestre pela montanha até ao ponto chamado Stromeness, com uma espectacular vista sobre o Drakensberg. Ao longe estava o Sani Pass com o seu zig-zag agora parecendo tão pequeno como intransponível.

No dia seguinte  saímos para Underberg, onde paramos e aproveitamos para rever o filtro de gasóleo. De novo na estrada deixamos de ver os pastores do Lesoto, mas voltamos às normais cenas das estradas de África do Sul. Há poucos transportes públicos pelo que as pessoas pedem boleia na berma da estrada. Muitos homens esticam as mãos mostrando uma nota para cativar as pessoas a pararem.

Passamos Pietermaritzburg, na direcção de Durban. A N2  é uma auto-estrada movimentada que vem desde Pretoria e próximo da cidade o trânsito é ainda mais complicado. Quase de noite chegamos a Bluff beach, e pernoitamos no Ansteys Backpackers. Este Backpackers tal como outros está completamente revestido de informação turística. Há programas para todos os gostos: surf, visita a aldeias zulus, 3 dias e 4 noites em safari algures, ver borboletas no local x, visitar o Drakensberg,  subir o Sani Pas, montar a cavalo, ver tubarões ou baleias na época certa…Enfim, por cá não há tédio, desde que  carteira colabore!

No dia seguinte, na cidade de Durban, aproveitamos para conseguir o último visto da viagem, o de Moçambique, sem qualquer dificuldade. De seguida visitamos o centro da cidade. A primeira paragem foi no estádio de futebol, Moses Mabhida, onde Portugal enfrentou o Brasil no Mundial 2010. Tem um arco central, com um teleférico que dá acesso a uma plataforma que permite uma visão alargada da cidade. Passeamos pela marginal até ao Ushaka Marine World, um parque aquático com enorme variedade de espécies marinhas.

Dez de Fevereiro foi uma data especial. O dia do meu aniversário. Depois de receber os primeiros Parabéns, pensamos em seguir viagem, mas de facto havendo o Ushaka Marine World, com actividades relacionadas com o mar achamos interessante entrar, e festejar o dia de aniversário de uma forma diferente… Nada melhor que comemorar os 35 anos comportando-nos como crianças! À noite passeamos pela Florida Street, com bares e restaurantes e um ambiente nocturno muito semelhante ao Europeu!

Deixamos Durban na manhã seguinte na direcção de Santa Lucia. É uma aldeia localizada na margem de um estuário, habitado por muitos hipopótamos e a maior colónia de crocodilos de África do Sul. Há uma espécie de dique que impede a mistura de água doce com a salgada. No entanto, se as chuvas intensas inundarem a lagoa pode levar á mistura destas águas. Segundo nos informaram, nesta circunstância, os hipopótamos sobem o rio até um ambiente mais propicio e os crocodilos permanecem pois têm a capacidade de sobreviver nessa mistura de águas. Também nos revelaram que até tubarões já foram encontrados a nadar na lagoa, numa altura em que as águas subiram. Ao fim da tarde, os hipopótamos aproximam-se da margem.Saem da água e passam a noite a comer, podendo consumir até 50 kg de erva por noite.

No dia 13 de Fevereiro chegamos ao Parque Natural  iMfolozi. Neste parque abundam os rinocerontes e nós tivemos a sorte de ver 13 exemplares, entre outros animais como elefantes e muitos búfalos. Não é permitido usar a própria tenda no campismo, pelo que apenas passamos o dia. A caminho de Nelspruit, a cidade mais próxima onde conseguiríamos chegar nessa noite ficava a cerca de 100 km. Já era noite quando chegamos a Nongoma e aí fomos surpreendidos pela lotação de todas as guesthouse e B&B. Restava-nos uma solução que era dormir na tenda na cidade. Certamente que a policia nos viria perguntar o que fazíamos pelo que nos antecipamos indo á esquadra perguntar onde poderíamos acampar. De forma eficiente os policias arranjaram-nos um local para dormir a cerca de 4 km da cidade. Um lodge ainda em construção, mas impecável para passar a noite!

No dia seguinte antes de sair da cidade fizemos algumas compras num supermercado chamado Cambridge. Não me deixaram entrar por ter uma mochila ás costas pelo que fiquei á espera na porta. Entretanto os seguranças olhavam para mim com ar desconfiado. Expliquei o que fazia ali. A resposta foi simples: “Pensavamos que podia ser alguém a querer roubar!” Prometi que não roubaria nada, para eles ficarem descansados. Riram-se! Este incidente não me deixou irritado. Talvez seja a prova de mudança em que os ladrões não têm cor. Pode ser qualquer um e as medidas de seguranças aplicam-se de igual forma a brancos e negros. Primeiro sinal que notamos que o apartheid já não existe!

Seguimos viagem e a proximidade de Nelspruit foi anunciada pelo rio Crocodile. Instalamos-nos no Nelspruit Backpackers. Estávamos perto do Kruger National Park, mas antes ainda pretendíamos visitar o Blyde River Canyon, uma espectacular área de montanha na envolvência da savana do Kruger. Ficamos a dormir no Amzloti Backpackers. O local parecia abandonado. Os donos um casal de sul-africanos de cerca de 60 anos tentavam recompor o estabelecimento depois das fortes cheias que estragaram algumas zonas do recinto. Segundo o dono, por ali aparecem hienas, facoceros e até porcos-espinhos. Contou-nos histórias de cobras que atacaram os seus cães, tendo em alguma situações um desfecho fatal.  O senhor é de facto uma personagem e depois de nos contar estas aventuras entregou-nos uma catana e disse para irmos passear pelo matagal… Claro que o passeio foi tudo menos relaxante ainda por cima levando  3 cães que não nos largavam, o que em caso de encontro com uma cobra poderia suscitar a fúria do réptil e os cães ou nós acabarmos mordidos… À noite o céu estava estrelado e ouvimos ruídos de animais vindos da savana.

Estávamos bem perto de Moçambique, no entanto, e apesar de não ser a altura ideal para visitar o Kruger entramos no parque . Nos dois dias que lá passamos conseguimos ver muitos animais com os big 5 (Elefantes, Rinocerontes, Búfalos, Leões e Leopardo) foram avistados. Na manhã do dia 18 de Fevereiro acordamos bem cedo e conseguimos avistar um leopardo, que depressa desapareceu entre os arbustos.

Satisfeitos com a visita ao parque saímos na direcção de Moçambique. Pela Crocodile Bridge, a porta do parque mais a sul e mais proxima da fronteira de Ressano Garcia.

Atravessando a fronteira entrariamos no país que consideramos o final desta viagem trans-África, ou pelo menos do primeiro capitulo da mesma!

As formalidades fronteiriças foram simples e rápidas apesar de ser fim-semana. Na fronteira, que já conhecíamos voltamos a ver as mulheres de capulanas, com as mercadorias à cabeça e as crianças atrás. A confusão de sempre de uma fronteira muito movimentada.

Neste dia especial, 18 de Fevereiro chegamos a Maputo. A cidade continua desorganizada e caótica, no entanto, mantém o mesmo encanto que há 5 anos atrás!

Assim, após 5 meses, 17 países e 30000 km  regressámos, via terrestre, à “nossa” África, fechando este capítulo de aventura!

A todos aqueles que seguiram de alguma forma a viagem, que nos apoiaram ao longo destes cinco meses e que disponibilizaram algum tempo com este blog, resta-nos o agradecimento e prometemos que vamos tentar continuar a alimentar o baobabshadow com histórias e fotos.

MUCHAS GRACIAS

MUITO OBRIGADO

THANKS

MERCI

KANIMAMBO

(assim parece mais internacional)

 

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4 respostas a ÁFRICA DO SUL: Sani Pass – Underberg – Durban – Santa Lucia – iMfolozi – Nelspruit – Kruger – MOÇAMBIQUE: Maputo (7-18 de Fevereiro)

  1. lenita diz:

    MUITOS PARABÉNS!!
    Obrigada nós, por terem partilhado connosco esta maravilhosa aventura e belíssimas fotografias.
    Por favor, continuem o Blog pois, além de ser um prazer visitá-lo, vamos tendo noticias vossas.
    Que tudo continue a correr pelo melhor.

    Beijinhos e saudades das irmãs Gaspar (Lenita e Carlinha)

    • Muito obrigado a vocês que nos acompanharam… é verdade Lenita, desde que encontramos o primeiro baobab recolhemos uma folha para te oferecer. é pequenina e está seca, mas é para ti! Beijinhos e obrigado.

  2. lenita diz:

    Lembraram-se!! Fico muito sensibilizada e, como prova de gratidão, vou gravar para vocês uma colectânea de musicas dos países onde vocês passaram (os que forem possíveis).

    Beijinhos .

  3. Raquel diz:

    Gracias a vosotros por compartir esta aventura con nosotros! Ya sabéis que soy vuestra fan nº 1 😉 Un besazo para mis niños!

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