MOÇAMBIQUE (confrontos) – Beira – Inhambane – Junho 2013

Aproveitando o fim-de-semana prolongado, pelo feriado de 25 de Junho, comemorando a independência de Moçambique, decidimos fazer uma escapada até às praias de Inhambane, apesar de surpreendidos por uma notícia pouco animadora – bloqueio da estrada nacional 1 (EN1), num troço entre o rio Save e Muxungue, sem alternativas por via terrestre. Esta ameaça veio na sequência de conflitos entre os principais partidos políticos do país, a FRELIMO, atualmente no poder e a RENAMO, a oposição, sem grande intervenção na política nacional. Daí a Renamo decidir fazer-se sentir, nesta época pré-eleitoral, entrando em conflito com as Forças armadas do atual Governo (as FIR). Destes confrontos resultaram já alguns mortos e feridos, 2 dos quais tratamos no nosso serviço do Hospital da Beira. A verdade é que a situação parecia ter estabilizado, razão pela qual decidimos sair.

Saímos numa quinta-feira, dia 20 de Junho após a jornada laboral. Segundo os noticiários a meio do dia, não passou de uma ameaça e o trânsito fluía normalmente, razão pela qual seguimos viagem. A primeira noite dormimos em Vilanculos, e no dia seguinte continuamos viagem até Inhambane, para procurar as praias de Jangamo (Guinjata, Paindane, Baia dos Cocos, etc…). A meio do percurso do dia 21 de Junho cruzamo-nos com alguns carros militares no sentido sul-norte, e duvidamos que alguma coisa se estava a passar. Um breve SMS da amiga Raquel Mogo, em Maputo colocou-nos a par da situação: “Renamo põe em prática plano de bloqueio da circulação rodoviária na EN1, no troço Rio Save – Muxungue… três viaturas de pessoas singulares atacadas, três vítimas mortais, dois feridos, lojas, escolas, hospitais e outras instituições encerradas e uma grande concentração da população no posto administrativo de Muxungue é o que se verifica neste momento…” O plano ameaçado estava em prática e supostamente a Renamo tinha causado a morte de três inocentes quando os dois dos camiões foram incendiados com toda a carga e quem sabe mais inocentes no seu interior.

Estávamos a sul do Save, com quatro dias supostamente relaxantes pela frente, mas que evidentemente seriam de alguma tensão. Cármen e Dennis, alemães, amigos da Beira também decidiram fazer a viagem para o Tofo. Dennis foi surpreendido pelo início da escolta militar quando descia para Inhambane. Conseguiu atravessar apesar da quantidade de militares lá instalada. Quando chegou a Tofo foi apelidado de “War Hero”, pelo cenário que descreveu entre Muxungue e Save.

Entretanto passamos o dia 22 na praia de Paindane e Guinjata, uma costa impressionante de dunas e mar azul-turquesa. Aproveitamos para fazer dois mergulhos profundos em busca das mantas gigantes, mas as redes dos pescadores têm-se dedicado a reduzir o seu número. Os entendidos referem uma redução de quase 80% do seu valor em 10 anos. Um dos momentos altos do mergulho ver um Potato bass, semelhante a uma garoupa em que se consegue tocar e simular caricias no seu ventre sem que se afaste dos mergulhadores. Mas neste dia, após tanto tempo sem entrar nas profundezas do oceano, foi á superfície que assistimos a uma das maravilhas da natureza. Uma baleia (humpback whale) permanecia á superfície, rodeada de um grupo de golfinhos em mergulhos sucessivos em frente á baleia, que se agitava parecendo afugenta-los. Para nós era uma novidade avistar o cetáceo, mas para os habituados mergulhadores o movimento da baleia foi interpretado como uma tentativa de proteção, provavelmente por estar a dar à luz uma cria.

Nestes dois dias, a ausência de informação transmitiu uma certa paz, mas igualmente algum desassossego. Sabíamos que sétima ronda de diálogos entre partidos ocorreria na véspera da celebração da independência do país, e daí poderia depender a evolução da situação, com rumo incógnito. A exigência da Renamo de paridade de membros na composição da Comissão Nacional de Eleições até parece lógica, sobretudo quando se trata de um Governo que perdura desde 1975, sem interrupções, e cuja clareza de resultados eleitorais foi previamente reivindicada.

No domingo decidimos encontrar-nos com Cármen e Dennis no Tofo. A impressionante baia do Tofo, sempre relaxante, permitiu disfrutar de um excelente por do sol nos dias que se seguiram, mas foi no dia 24 que a situação pareceu piorar quando Cármen foi informada pela sua chefe da Cooperação Alemã que a coluna militar tinha sido atacada, felizmente sem vítimas mortais.

O cenário idílico em que estávamos, passou a segundo plano e o barbecue previsto para essa noite foi cancelado. Os nossos amigos decidiram rapidamente deixar o carro em Inhambane e fazer a viagem de avião, primeiro até Maputo e depois para a Beira. A Raquel mantinha-se atenta e na véspera do nosso regresso volta a informar-nos: “Aconteceu há 15 minutos, mais um ataque armado. Amigos tenham cuidado!!” Os dois pontos de exclamação e o emoticon com um sorriso invertido denunciavam a preocupação da Raquel Mogo. Concluímos que não tinha havido consenso na reunião da capital e que a Renamo mantinha a sua postura, agora um pouco mais grave com ataques a civis supostamente escoltados. Não era conhecido o teor destes incidentes, apenas se sabia que eram disparos aleatórios oriundos do mato e felizmente sem vítimas mortais.

Apesar da situação pensamos que apenas poderíamos viajar até Save e perceber as dificuldades no local, mesmo que inverter a marcha pudesse ser a última saída, já que do estudo dos mapas não parecia viável nenhuma solução de regresso (via terrestre) à Beira, sem percorrer os quilómetros da escolta, aparentemente pouco segura.

No dia da comemoração da Independência do país levantamo-nos bem cedo e rumamos ao norte pela Estrada Nacional 1. Havia um silêncio estranho no carro, e algo de preocupação, mas ao mesmo tempo uma esperança de sucesso. A estrada N1 é a única que atravessa aquele troço e a ausência de circulação poderia ter consequências dramáticas para o norte do país. É local de passagem de mercadorias, de passageiros, podendo significar falta de alimentos, combustíveis e de certa forma abalar a economia do país. Não tinha lógica o bloqueio da estrada, mas a lógica africana nem sempre se entende, e o que está estável num dia, no dia seguinte pode significar uma guerra. “Estar em guerra, sem querer!”

Chegamos pelas 11 horas ao rio Save, não encontrando nenhum movimento anormal, apenas alguns jovens militares uma falta de organização impressionante por parte da escolta. As horas de espera pela nossa vez foram passando e só 5 horas depois da nossa chegada avistamos do outro lado da ponte um blindado imponente que conduzia a escolta vinda do norte.

A espera aborrece e nós íamos tentando passar o tempo com comentários de acordo com o que se ia passando á nossa volta. Passou um polícia municipal, no seu traje cinzento bem vincado, era de estatura baixa e segurava na mão um enorme smartphone branco, que não cabia no bolso, pelo que tinha que o transportar na mão. Brincamos com a situação um pouco caricata, dizendo que ele deveria arranjar um outro suporte á cintura, simétrico ao do revólver pendurado. E imaginamos a cena em que o policia baralhado, numa situação de stress disparava com o smartphone ou atendia o revólver carregado colando-o ao ouvido.

Não havia qualquer planeamento desta situação de escolta policial, não havia informação dos envolvidos, em suma não havia preocupação pela real segurança dos passageiros. A ideia de haverem vários carros militares a patrulhar a zona e a conduzir os carros em ambos os sentidos parecia descabida. Perguntamos o que era feito de todos aqueles camiões e militares que tinham passado por nós nos últimos dias. Estariam certamente na Gorongosa á espera de que algo acontecesse, quando eram necessário na zona do conflito atual no troço entre o Save e Muxungue.

Pelas 16 horas iniciamos a travessia da ponte, num total de 32. Do outro lado havia muitos jovens militares, em sentido, com as metralhadoras em punho, cara de mau e baixa estatura. Eram muito jovens, nitidamente satisfeitos pelo poder que a arma e a farda lhes atribuía. O inico da escolta foi algo tenso, mal se atravessa a ponte parece que se entra em terreno do inimigo. Silêncio e atenção para descobrir algo de novo na savana. Aproximávamo-nos do pôr-do-sol e nem a beleza da sua luz relaxou a viagem, conduzindo calados, encostados ao banco como tentando escapar a bala perdida. Chegamos ao local dos ataques prévios, numa ponte metálica elevada onde obrigatoriamente a velocidade das viaturas abranda. Surpreendentemente não havia nenhum militar a patrulhar essa zona, nem ninguém a querer atacar, apenas permaneciam os restos queimados de dois camiões entre o mato, um deles com o radiador encostado ao tronco grosso de uma árvore, como se se tivesse despistado. O local alvo das três mortes dos dias prévios. Seguimos viagem calados e pensativos, chegando a Muxungue já de noite, mas alegres pelo sucesso da escolta mal feita. Continuamos viagem que se fez longa e 15 horas depois conseguimos chegar à Beira, contentes por regressar a casa, em segurança, apesar do cansaço, também manifestado pelo Djambo que aguentou todo este tempo deitado na bagageira do carro.

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Nos dias seguintes acompanhando as notícias da instabilidade política do país verificava-se uma certa incerteza quanto ao futuro do país. Reclamava-se um encontro entre líderes partidários, Guebuza pela Frelimo e Dhlakama da Renamo.

Todo o país se mostrava alerta, atento às intenções de cada partido e sobretudo esperançados que “Encontro com Guebuza terá resultados se houver consensos no diálogo”. Resta esperar e tentar seguir a rotina habitual!

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Baobabshadow continua …

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MOÇAMBIQUE – Escapada a Zambézia, Nampula y Cabo Delgado (Dezembro 2012 – Janeiro 2013)

Aprovechamos los días después de Navidad en que el quirófano del hospital cierra para la cirugía programada hasta el nuevo año, y  que tenemos menos pacientes ingresados, para escaparnos con el coche rumbo al Norte. Esta vez somos tres, con nuestro amigo canil, Djambo.

Así que a unos 40 kms de Beira nos desviamos por un atajo de pista de tierra de unos 200 kms que nos mete directamente en la provincia de Zambezia, llamada así por ser cruzada por uno de los grandes ríos africanos, el Zambeze donde se encuentran los cocodrilos mayores de Mozambique. En Caia atravesamos el ancho río por el puente nuevo inaugurado en 2009 con el nombre del presidente del país (Armando Guebuza). En el mismo día llegamos a Quelimane, capital de la región y del ananás. La ciudad conserva muchos edificios de la época colonial  y numerosas terrazas para refrescar la garganta. Es curioso porque es la ciudad de las bicicletas,con las bici-taxis con trasportín tapizado. Pasamos la tarde con nuestra amiga Miriem, simpática barcelonesa del mundo que habíamos conocido en Beira. Para dormir fuimos a un camping en la playa de Zalala, a unos 30 kms donde a la mañana siguiente nos dimos un baño relajante en sus cálidas aguas antes de seguir viaje.

Nuestro próximo destino ese día es llegar a Nampula, casi 600 kms por una carretera sorprendentemente muy bien asfaltada. Ya se notan los progresos del país. Hace 5 años, hicimos este camino y era una auténtica tortura, a pesar  del maravilloso paisaje. Como es el inicio de la época de lluvias, el paisaje es  de un verde intenso salpicado de baobabs y enormes montañas de roca lisa que nos recuerdan a elefantes gigantes. Nampula es la capital de la región con el mismo nombre y sede de la antigua tribu de los “macua” con dialecto propio. La ciudad ya la conocíamos, y después de una rápida vuelta  por el centro, acampamos  a unos 14 kms , en dirección a Cuamba. Se trata de una finca enorme rodeada de montañas de roca con un lago de nenúfares y cocodrilos, llamada  Nairuco (parada obligatoria para “overlanders”).

Continuamos viaje hasta nuestro destino final, Pemba, capital de la región más a norte y costera de Mozambique junto a la frontera de Tanzania. Es la región de Cabo Delgado. Entre otras cosas famosa por ser donde comenzaron los enfrentamientos anticoloniales contra los portugueses hace unos 40 años, y por tener el paradisiaco archipiélago de las Quirimbas. Las carreteras están mejorando en estos últimos años y nos hace pensar que la región de Sofala, cuya capital es Beira, donde vivimos, se encuentra marginalizada en este sentido con carreteras y pistas en muy mal estado, fruto de desintereses políticos por parte del gobierno central. Decir que vas a  Pemba en Mozambique es como decir en España que vas a quinto pino o en Portugal al “cu de Judas”, con perdón. Considerando que queda a casi 3000 kms de la capital del país, Maputo. Pemba forma con la costa una preciosa bahía llena de baobads últimamente amenazada por el descubrimiento de yacimientos de gas natural y petróleo en sus costas y en la propia bahía. Un camping en la bahía en lugar privilegiado, desparecerá en pocos meses, para limpiar este paraíso natural y convertirlo en puerto con instalaciones para explotación de tan rica materia prima. Según nos informamos se llenará de trabajadores y empresas de USA e Italia creando cierta indignación en los locales que no están contratados por falta de formación, con la convicción de que una vez más el dinero recaudado por el país será para renovar la flota de cochazos del gobierno, con nuevas mansiones y nuevas inversiones a nombre de los dirigentes y familiares. Como alguien dijo en la película de “Los diamantes de sangre”: “TIA, o sea This is Africa”.

Y así pasamos los últimos días de 2012 ,disfrutando de esta calma y cálida ciudad con su famosa playa “Wimbi Beach”  de arena blanca y mar turquesa. Acampamos junto a la playa en Russell´s Place, llamado también Pemba Magic Lodge, dirigido por un australiano. Días de descanso con paseos fabulosos por la playa, compartiendo con miles de locales la entrada en el nuevo año. Al más puro estilo portugués con 12 pasas y “cava” sudafricano (encontramos un sitio que vendían uvas a 8 euros el kilo, y como que no!), pies dentro del agua del mar y fuegos artificiales, y así entramos en 2013 con nuestros mejores deseos también para la familia y amigos en España y Portugal en estos tiempos “ revueltos “ y de crisis.

Los últimos días de nuestras pequeñas vacaciones aprovechamos para ir todavía más al norte. Conseguimos llegar en coche hasta Quissanga donde dejamos el coche y atravesamos en bote a motor hasta la histórica isla de Ibo, y corazón del archipiélago de Quirimbas, un conjunto de casi 30 islas paradisiacas, algunas de ellas con Resorts de revistas de turismo de altura. La isla de Ibo, mayoritariamente musulmana conserva casas y fortalezas de origen portugués  de la época de la ruta hacia las Indias. Nos quedamos un par de noches en los bungalows “Karibuni”, que en dialecto (Suaili) significa Bienvenidos, simple y económico. Casi el único sitio donde nos dejaban tener al perro. Por ser de mayoría musulmana, y en general todo el Norte de Mozambique, el perro es considerado animal “no deseado” que ellos llaman como “aramo”, por lo que muchas veces pasear con Djambo, incluso con correa es como si pasearas con un “alien”…realmente difícil de comprender. Se ve que la expresión de que es el “mejor amigo del hombre” nunca llegó a estas latitudes. Aun así, la isla merece la pena visitar, así como ir a pie con la marea baja, y cruzando por el medio de los manglares a la vecina isla más al sur llamada Quirimba. Una caminada de dos horas y media, no apta para todos los turistas. La isla,con menos interés histórico, tiene una aldea entre cocoteros que ofrece una acogida más cálida al atrevido turista, quizás por ser menos visitada. Menos mal que a la vuelta, con la marea alta solo puedes volver en bote.

En el último día quisimos ir hasta la cercana isla de Matemo, destino de turistas “adinerados” que llegan desde la costa en avionetas, pero el día amaneció tormentoso y el mar enfureció lo suficiente como para que el pescador que nos llevaba en su bote nos convenciese de desistir. Por lo que ese mismo día iniciamos la maratoniana vuelta hacia el Sur, 1600 kms hasta Beira. Hicimos parada en la famosa playa de Chocas, cerca de la Isla de Mozambique (que ya conocíamos de hace 5 años) y que dio nombre al país. También paramos nuevamente en Nampula. Elegi el paraiso de los Montes Nairuco, para celebrar el dia de mi cumpleaños. La última noche fue en las márgenes del río Zambeze, una noche de lluvia intensa y tormenta que nos hizo recordar que habíamos entrado en plena época de lluvias, y el final de esta mini-aventura.

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A equipa baobabshadow com espirito Natalicio!

Cão que algalia natal

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Boas Festas e Um Fabuloso ano 2013!

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MOÇAMBIQUE – Buzi (Junho 2012)

Suscitou-nos o interesse por Buzi, a quantidade de doentes transferidos para o nosso Serviço, no Hospital Central da Beira! Logo numa das primeiras oportunidades, visitamos, durante um fim-de-semana, esta aldeia perdida na província de Sofala.

Parece perto, para quem olha no mapa. Da janela de casa, da Ponta Gêa, adivinha-se a costa do outro lado, na foz do rio Buzi. O GPS em linha recta refere que está distanciada em apenas uns 30 km… mas não é bem assim! Para lá chegar, os km aumentam consideravelmente.

Pela via terrestre, saindo da Beira na direcção de Inchope, há um desvio na aldeia de Tica que conduz, por uma estrada de terra batida até a aldeia de Buzi! São cerca de 150 km percorridos. A savana seca, é a paisagem que ladeia a picada. Pelo caminho são muitos os habitantes da região deslocando-se a pé ou em bicicletas, que usam para transporte pessoal, de carga ou até de animais. Era altura das queimadas e o céu cinzento de fumo deixava cair faúlhas negras. É uma zona em que se produz carvão, que devidamente ensacado é exposto, ordenadamente, para quem estiver disposto a comprar.

Chegando á aldeia de Buzi, uma pequena povoação na margem do rio de mesmo nome a primeira paragem foi junto ao rio, onde os barcos atracados esperam por passageiros para a margem sul do rio, onde fica a povoação de nome Nova Sofala. O rio Buzi com cerca de 250 km serpenteia pelas províncias de Manica e Sofala, para desaguar junto a esta aldeia, formando um estuário. É habitado por hipopótamos e crocodilos, que muitas vezes atacam os habitantes. Na aldeia não se avistam com facilidade, mas há sempre alguém que conhece uma história de quando o crocodilo atacou!!!

Junto ao rio fomos vendo a rotina da aldeia e sobretudo dos pequenos barcos que circulam entre as margens. Não é frequente aparecerem turistas na aldeia. Quem vai a Buzi significa que tem algum motivo, que não seja apenas pura curiosidade pelo ambiente rural Moçambicano! Pois este era o nosso caso…

Ao entardecer foi necessário encontrar poiso para a noite que se aproximava. No pequeno hotel da aldeia, apesar de um amplo espaço, onde poderíamos estacionar e armar a tenda, surpreendidos pela pergunta, disseram rapidamente que não… só dormindo nos extremamente caros quartos, para as condições precárias apresentadas. Muito menos com um cão! Mas rapidamente alguém se prontificou para nos ajudar e em escassos minutos estávamos a estacionar o carro entre as casas dos habitantes. Um jardim de coqueiros, com crianças a brincar por todo o lado. João disponibilizou o pátio da casa de sua tia para montarmos o nosso acampamento.

Ali ficamos o fim-de-semana em plena aldeia de Buzi, perdidos no Moçambique rural! No centro da aldeia, as antigas casas coloniais mantêm a estrutura original. As pessoas circulam, por uma avenida separada por um pequeno jardim central, entre as casas, o rio, o mercado ou a mesquita. Na hora da chegada, entrando no mercado, percebemos que tinha sido dia de matança de gado. Ainda jazia a cabeça do bovino sobre a prateleira de mármore do mercado central, esperando pelo último comprador.

Amanhece cedo e com a luz do dia as mulheres despertam para as lides domésticas. É necessário varrer os pátios das folhas caídas, recolher água da bomba mecânica para lavar a roupa e a loiça do dia anterior. Os miúdos, entretanto, preparam as brincadeiras no dia de “folga” que se avizinha. Aros de bicicletas, pneus, cordas e as obrigatórias bolas, são os brinquedos destas crianças.

As bolas despertaram-nos particular interesse, sobretudo na forma com que são manufacturadas. Um fio entrelaçado cria uma trama esférica que obviamente necessita de um suporte interno, uma câmara-de-ar, que lhe permite saltitar. Quando perguntamos a um miúdo de que era feita responde: “Com jeito…” Obviamente que tem que haver jeito para fazer uma bola daquelas, mas ao que ele se referia era ao interior da trama de tecido que resultou em esfera. São 2 preservativos da marca “Jeito” preenchidos por ar que constituem a câmara-de-ar das bolas dos miúdos de Buzi! Daí que só quem tem “jeito” pode, ali, jogar á bola!

Era altura dos Baobás darem fruto. Paramos á sombra de um baobá, onde um grupo de miúdos recolhia o fruto desta enorme árvore! Abrindo a grande semente descascam o fruto, com textura semelhante a um suspiro, com um sabor amargo, mas conhecido pelas suas propriedades anti-diabéticas. Mais uma paragem e uma luta por uma foto, destes simpáticos miúdos da aldeia de Buzi!

Já poderíamos assim, localizar no espaço o local de onde alguns dos nossos doentes chegam, esperam e voltam já tratados para junto da margem do rio Buzi!

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Futebolistas do Grande Hotel!

Alberto segura uma bola de futebol! O grupo de amigos já tem jogo marcado para amanhã, domingo… Faltava a bola aos vizinhos do Grande Hotel! Agradeceram com um aperto de mão, em fila… como se de o inicio da partida se tratasse!

Futebolistas do Grande Hotel!

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