ÁFRICA DO SUL: Betty`s Bay – Gaansbai – Strusbai – Cape Agulhas – Oudtshoorn – Knysna – Storm River – Addo – Zastron (24 Janeiro – 01 Fevereiro)

No dia 24 de Janeiro só pelas 17 horas conseguimos o carro recomposto. Decidimos deixar Cape Town em direcção ao sul, seguindo a estrada da costa. A saída pela M2 atravessa os bairros de Nyanga e Kayelitshia. Duas Townships com fama de elevada criminalidade. Não sei se assim será, mas o facto é que são enormes áreas de barracas aglomeradas e isoladas do resto da cidade, separadas da auto-estrada por uma alta vedação. Estão habitados por negros onde os brancos nao entram! E dizem que não há Apartheid?

No final da tarde chegamos a Betty´s Bay, uma pacata aldeia à beira mar onde o principal interesse é uma colonia de pinguins em ambiente natural, que visitamos no dia seguinte.

Continuando viagem pela costa, paramos em Hermanus.  É um dos 12 melhores locais do Mundo para ver baleias, mas na altura certa (Junho – Novembro), quando se deslocam da Antartida até esta costa para acasalar. Vimos apenas algumas focas. As baleias já tinham partido claro!

Em Gaansbai tinhamos como objectivo fazer mergulho com o tubarão branco. Há várias companhias dedicadas ao negócio, mas optámos por uma conceituada com várias filmagens para a National Geographic e BBC – Great White Shark Tours. Depois  de combinado o mergulho procuramos o sitio onde acampariamos, numa quinta entre as montanhas. Neste caminho tivemos a prova da insegurança sentida pela maioria das pessoas em África do Sul. Nesta pacata vila marinha reparamos em 2 rapazes que corriam pelo mato dentro, enquanto um outro os seguia de arma em punho. Seria um assalto certamente! Ficamos apreensivos e passamos a alta velocidad pelo cenário descrito…

O dia 26 de Janeiro foi o dia dos tubarões. O barco levava 16 pessoas de várias nacionaldades, todos partilhando a mesma vontade. Apesar da companhia Great White Shark Tours dizer que não usa isco, mas apenas o Gladys (placa de borracha, com forma de foca), reparamos que um dos empregados tinha como função esmagar pedaços de atum num bidom de água lançando um pouco dessa mistura ao mar. Um homem lançava o Gladys e outro cabeça de atum inteiras presas por uma corda. Os tubarões começaram a aparecer, um a um… Não pareciam demasiado interessaos no isco mas rodeavam o barco continuamente. Desde a gaiola a visão é impressionante! Os tubarões aproximam-se continuamente do barco. Nessa altura um dos marinheiros dizia: “Down guys, down” e nós mergulhavamos para de seguida ver aparecer o aterrador e antipático tubarão branco. Uma das vezes fomos surpreendidos por um tubarão que mordeu a gaiola mesmo na minha frente. Por instantes senti uma pancada na testa e vi uma enorme boca cheia de dentes… Assustador, verdadeiramente um momento do Tubarão 3!!!

Depois desta experiência  fomos na direcção de Cape Agulhas. Chegamos a Strusbaai, uma cidade a cerca de 6 km do Cabo, onde dormimos no Strusbaai Backepackers. Depois de um mergulho no Indico, o primeiro da viagem, fomos ao Cabo Agulhas. Era um momento importante da viagem. Passamos o farol, onde tiramos algumas fotos e depois seguimos até ao local assinalado como o ponto mais a sul de África. Fotos obrigatórias e especulações sobre o encontro dos dois oceanos. Fazia exactamente 4 meses desde a entrada no estreito de Gibraltar e estavamos no ponto onde há varios séculos atrás os portugueses concluiram ser o ponto mais a sul do continente Africano. Chama-se Agulhas pela orientação das agulhas da bússola dos portugueses.

No dia seguinte iniciamos o caminho da chamada “Garden Route”. O destino do dia era Oudtshoorn. Passamos Swelledam e Barrydale seguindo pela Route 62. A Route 62, que se compara à Route 66 dos EUA é uma estrada simples, semi-desértica, com extensas zonas sem casas, com a estrada resgando os campos, com rectas infindáveis. Numa certa zona passamos a Huiser River Pass, uma estrada estreita que sobe a montanha de onde a vista é panorâmica. Passamos Ladysmith, e acabamos por chegar a Oudtshoorn, a cidade das avestruzes. Na entrada começamos a ver muitas quintas de avestruzes, com venda de vários artigos relacionados com estes animais, desde as penas, ovos, carne ou carteira feitas com a sua pele. Visitamos as Cango Caves! Chegamos mesmo a tempo do percurso das 9:30 h. Chama-se Adventure e percorre imensas galerias, com passagem obrigatória por tuneis estreitos, impróprios para claustrofóbicos.  Fomos acompanhados por uma jovem sul-africana chamada “Keke”, extremamente simpática. A primeira galeria foi em tempos usada como sala de concertos de música clássica, que suspenderam quando perceberam a destruição causada pelos visitantes. Mas o Pablo contemplou-nos com o cássico Espanhol “Moças de Vilarpando”, que encantou a sala de concertos vazia! Em seguida passamos pelo Swartberg Pass, um caminho montanhoso, cuja vista é impressionante. Almoçamos Bobotie (Tipico prato Sul-Africano, com origem Malaia) no Buffalosdrift Game Lodge, um restaurante com esplanada junto a um lago, onde supostamente se vêem hipopotamos e outros bichos exóticos…

Voltamos á Garden Route, passando George, Wilderness até chegar a Knysna. O caminho continuava espectacular. Muitas lagoas de cada lado da estrada. Em Knysna acampamos uma noite e visitamos alguns pontos de interesse, como a lagoa e o Waterfront, uma pequena marinha na lagoa! Aproveitamos o bom da gastronomia da região dominada pelas Ostras!

Tsitsikamma foi o seguinte ponto de paragem. Acampamos no Storm River National Park. África do Sul está repleto de locais naturais bonitos e os sul-africanos exploram-nos devidamente. Frequentemente surge uma portagem a pagar, numa estrada considerada panorâmica. O caminho para Tsitsikama foi um destes locais. Para além disso em torno de um local bonito montam um parque. O Storm River é a foz do rio que surge num imponente desfiladeiro. Aí construiram uma ponte suspensa, criaram uma área de campismo e um restaurante, e já justifica cobrar uma taxa de entrada… Costumamos brincar dizendo que em África do Sul, numa área verde colocam uma vedação com porta,  três dassies (roedor do tamanho de um coelho), uma avestruz e já dá um parque natural, onde se cobra entrada e se vendem souvenirs… Esta é sem dúvida uma zona turistica: maior bunjee jumping do mundo, com 216 metros, aluguer de bicicletas, descidas do rio de boia, etc. Mas o mais procurado é o Canopy, em que as pessoas se sentem como os macacos saltando de árvore em árvore em 10 slides nas alturas da floresta. Reparamos num grupo de velhotes tirando uma foto, devidamente equipados metendo-se num jipe estilo safari para iniciarem a viagem do macaco. Achamos que não deveria ser assim tão dificil, pelo que decidimos não participar nessa aventura! Uma coisa é certa o Storm River é um local bonito, onde ao pôr do sol fomos presenteados por um grupo de golfinhos saltando na crista das ondas!

No dia 30 de Janeiro chegamos a Addo, passando pelos subúrbios confusos de Port Elizabeth. Passamos mais uma enorme township (onde vive a maioria negra). Mais uma vez uma vedação separava as casas da estrada. Desta vez as casas eram em cimento e não em chapas de zinco.

Procuramos o Addo Orange Elephant Backpackers, onde acampamos. Está bem perto do Addo Elephant National Park, onde entramos no dia seguinte. Mal entramo vimos uma serie de animais, desde  tartarugas, antilopes e zebras. No final do dia foram imensos os elefantes vistos, assim como facoceros, búfalos e 3 leões. Dois jovens machos dormiam deitados no alcatrão numa ingreme subida do parque, enquanto uma fêmea dormia entre as ervas altas.Um dos machos tinha a falta de um canino, o que tornou as fotos de boca aberta suis generis!

No dia 1 de Fevereiro iniciamos o caminho até ao Lesoto, próximo país onde entraríamos. Passamos várias povoações, nomeadamente Cradock, Hofmeyer e Rouxville. Paramos em Hofmeyer para almoçar, num restaurante que é um misto entre loja comercial, restaurante, casa de chá e museu. Uma casa antiga colonial, bem preservada que alberga um espaço amplo, com o original chão de madeira. A decoração é colonial, com mesas e cadeiras da época. Um corredor dá acesso às casas de banho e está decorado com fotografias de Rugbi dos anos 20 e 30. Especulamos o que seria, e achamos que a dona, branca, seria descendente de emigrantes que ali formaram a familia actual. Curioso o sitio e ainda mais interessante a gastronomia, onde repetimos o Bobotie. Em Rouxville não encontramos local de campismo, pelo que seguimos até Zastron onde passamos a noite anterior à entrada no Lesoto (Mountain Guesthouse).

Estávamos bem perto do Lesoto. Sabiamos que passando a fronteira (Makheleng Brige) voltaríamos à “verdadeira” África, mais pobre, rural e acima de tudo muito montanhosa!

Na manhã seguinte pecorremos os 40 km de estrada de gravilha até à fronteira. Pelo caminho já nos fomos apercebendo da mudança e do predominio de pastores protegidos do clima montanhoso com cobertores pelas costas!

 

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Uma resposta a ÁFRICA DO SUL: Betty`s Bay – Gaansbai – Strusbai – Cape Agulhas – Oudtshoorn – Knysna – Storm River – Addo – Zastron (24 Janeiro – 01 Fevereiro)

  1. lenita diz:

    Ó Carlinhos, uma cabeçada do tubarão!!! não é qualquer um, se o Spielberg sabe ainda faz um remake contigo.
    Pablo, quando voltares não escapas de cantar para nós (eu agora até tenho um piano e posso acompanhar-te).
    Continuação de boa viagem, vocês são muito corajosos, fico contente por tudo estar a correr bem.

    Bjs e saudades.

    Lenita

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